



Podem me criticar a vontade! Certa vez eu li numa revista(não me lembro qual) que o maravilhoso Ary Fontoura tinha declarado que não gostava das paradas gays porque acreditava ''que ninguem pode reivindicar direitos vestido de baiana''. Concordei de imediato.
As paradas gays realizadas no Brasil nada mais são do que um carnaval fora de época, onde ninguem está alí pra reivindicar direito algum. Gostaría de saber qual a vitória que obtivemos após as paradas gays... nada, ou quase nada. Muitos homossexuais continuam sendo mortos de forma bárbara e não podemos ainda realizar a união civíl com pessoas do mesmo sexo que o nosso. Ou seja, meu companheiro continuará a não ter direito sobre a aposentadoria caso eu faleça, mesmo eu tendo contribuido para a Previdência Social. Então me diga: cadê a vitória? Onde estão os direitos que tanto amejamos? Vejo as paradas com muita desconfiança. Nada mais são que um encontro gay à luz do dia para celebrarmos de forma escancarada nossos anseios mais carnais e apolíticos: beijar, conhecer alguem, ver go-go boys e drag queens em profusão e dançar ao som frenético que ecoa dos carros de som que mais parecem trios elétricos.E só! As ongs que se incubem da responsabilidade de cuidar ou fazer valer os nossos direitos podem até tentar utilizar a parada como forma de expressão, mas ninguem presta muito atenção pra isso. A bandeira do arco-íris é esticada e por debaixo dela orgias monumentais acontecem, o que é muito satisfatório no ponto de vista dos prazeres da carne(nada contra). Já me contaram centenas de ''babados" que acontecem ali debaixo e até fiquei empolgado. Eu nunca fui a nenhuma delas e nem por isso sou melhor do que ninguem. Pode ser que eu vá na próxima. Mas não me iludirei que ali tenhamos nossos direitos conquistados. Apenas farei parte de um belo espetáculo, que diverte a comunidade GLS, irrita os conservadores e religiosos mais ortodoxos e acaba por alegrar os héteros sem maiores preconceitos. Estéticamente são lindas com aquelas bolas de aniversário formando imensos cordões, os rapazes sarados com cuequinhas salientes e asas angelicais fora as drags que tem os seus palcos bem redimensionados.
Na verdade, a forma como evoluem nas avenidas, me fazem lembrar de escolas de samba de um enredo só, com muito menos harmonia e evolução...

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