terça-feira, 7 de julho de 2009

HOJE É UM DIA ESTRANHO... GOODBYE MICHAEL!
















Eu não me sinto triste neste dia. Dificilmente eu me sinto triste, pois sei que sempre há um motivo pra eu me sentir feliz. Pode ser que este sentimento não aguce mais as minhas ambições materiais. Pode ser que por isso eu tenha me tornado uma pessoa menos talentosa do que eu poderia ser. Sei lá... mas o certo é que se um dia eu não tiver motivos pra me sentir feliz, eu simplesmente começarei a morrer numa velocidade mais veloz, porque viver sem felicidade é impossível.





Eu estou acompanhando o funeral do Michael Jackson pela tv. É uma solenidade muito americana, no melhor sentido que esta palavra possa ter: orgazinada, grandiosa, recheada de personalidades talentosas, lindas vozes e canções memoráveis. Acho que Michael Jackson merece todas as homenagens que ele tem recebido. Morre um astro, um gênio, um louco, uma pessoa que nasceu no planeta Terra mas parece que foi criado em outra galáxia. Não haverá outro Michael. Jamais! Dizer que todo mundo é substituível é tão mentiroso que dizer que dinheiro não traz felicidade ou a mais infâme das frases que diz ´´sou gordo mas sou feliz``. Não haverá outro Michael Jackson, nem outro Frank Sinatra, nem outra Elis Regina, nem outro Tom Jobim... existem pessoas que são únicas e eternas. Existem deuses, semi-deuses e mortais. Existem pessoas brilhantes e memoráveis. Existem pessoas apagadas e outras simplesmente deploráveis. No dia que Michael está sendo enterrado eu vi pela primeira vez(que atraso) o vídeo da apresentação da Susan Boyle cantando num programa inglês. Eu me arrepiei quando vi aquela mulher gordinha, cafona, caída soltando a voz e surpreendendo a humanidade. Ali existe um caso muito incomum: o das pessoas mal-tratadas que guardam tesouros dentro de si. Hoje em dia a regra é inversa. A maioria das pessoas é sarada, bem arrumada porém oca igual a um bambu. Mas é claro que Susan Boyle caída e feia será coisa do passado. Daqui a pouco ela vai estar lipada, cheia de botox e com um guarda-roupa desenhado em Paris ou Milão. O cabelo estará igual ao da Elizabeth Taylor, carregará jóias tão reluzentes quanto as da Hebe Camargo e venderá tantos cd´s como Britney Spears. O mundo perdeu Michael Jackson. Eu tentei guardar mais um pouquinho dele hoje comprando o cd OFF THE WALL nas Lojas Americanas. Foi lá que eu vi mais uma vez o clip de EARTH SONG. Ele já estava decadente fisicamente, mais claro que a Branca de Neve. Mesmo assim o clip é um assombro: florestas devastadas, fumaça de fábricas, pessoas assassinadas, tribos africanas arrasadas. Num instante ele começa a ter um acesso de raiva e tudo volta ao normal. Isso repleto dos mais incríveis efeitos visuais, fora a interpretação do astro, repleta de fúria.





Eu tenho certeza que ele era sincero quando dizia que tinha pena dos desvalidos. Tenho certeza também que os milhões de dólares que ele gastou não foram uma forma de auto-promoção. Ele parecia uma eterna criança mesmo, fazendo tudo que tinha vontade sem a menor noção do perigo. Como no dia que ele balançou o filho por fora de uma janela num hotel de Berlim... qual criança não seria capaz de fazer aquilo? Eu não vim aqui falar dos possíveis pecados de Michael. Hoje eu quero prestar uma homenagem a ele. Em 2005 eu desfilei na Unidos da Tijuca numa ala de passo marcado que fazia uma referência ao clip de THRILLER. Pra mim aquilo foi um desafio. A coreografia era difícil. Ensaiávamos exaustivamente tanto na quadra da escola como nos arredores da Sapucaí. Foi um trabalho árduo. Éramos trezentas pessoas. No dia do desfile recebemos o figurino . Era a roupa que tínhamos cedido para a escola, sendo que esta roupa foi enlameada e enterrada para dar a sensação de que tínhamos realmente saído de uma cova. Fedia demais. Pra complementar, éramos maquiados com uma mistura de cimento e gel de cabelo. Ficamos aterrorizados e aterrorizantes ao mesmo tempo. Quando a ala adentrou a Sapucaí, todos estávamos com o tórax e cabeças caídos. Quando a primeira fila de ´´dançarinos`` chegou no final do setor um, todos levantamos nossos tórax e jogamos as mãos pro alto com os dedos arqueados como Michael fazia. O setor um foi a loucura. Fomos aplaudidos por todos na Sapucaí. Até as celebridades do camarote da Brahmma ficaram extasiados. Eu lembro até hoje da Susana Vieira tentando imitar a coreografia em sinal de assombro e admiração perante nossa apresentação. Foi um momento muito legal na minha vida! Sem Michael isso seria impossível.





Adeus Michael! Extasie o paraíso em paz!

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