Em certa ocasião, assoberbado pela avalanche de questionamentos de dezenas de apavorados aplicadores do mercado financeiro, Pablo deu entrada na emergência de uma clínica nos Jardins. Pressão alta, dor de cabeça, stress. O médico recomendara uma pausa nasua rotina. Uma semana já estava bom. ´´Vá viajar!`` Era a recomendação do cardiologista diante do nervoso paciente à beira de um colapso. Pablo então resolveu que sería uma excelente idéia curtir uns dias fora do caos paulistano. Mas ao mesmo tempo não queria se afastar tanto assim para não deixar indócil toda a sua clientela. Procurou na internet algum pacote turístico. Algo que não o importunasse quanto a compra de passagens e reservas em hotéis. Salvador, Buenos Aires, Recife, Montevidéu, Natal... na verdade queria algo não muito apinhado de velhas corocas e criancinhas barulhentas. Achava Porto Seguro muito deja vú, mas se rendeu quando viu uma foto das praias de Arraial D´ajuda e Trancoso. Fechou com a empresa de turismo pelo telefone. Pagou no cartão de crédito. Viajou em quatro dias.
Realmente Porto Seguro era tudo que precisava. O clima quente esfriou os ânimos do rapaz. Nos primeiros três dias, fez todos os passeios que pôde junto a outros turistas. Nem se importou com as velhinhas nem com as criancinhas barulhentas do caminho. Se desligou da dieta, comendo acarajé, peixa na telha com pirão, cocadas. Até uma maçã do amor comeu. Achou curioso relembrar ogosto da calda açucarada que colava a sua língua aos dentes, perguntando-se há quanto tempo não comia uma coisa daquelas. Quando engoliu o último pedaço que restou no palito, fitou uma linda lua cheia em todo seu explendor sobre as águas de um Atlântico noturno. Sentiu um estranho desejo. Uma vontade de se jogar naquelas águas banhadas pelos raios lunares e toda a sua vitalidade prateada. Mas que tolice! Ele tinha pavor de água fora os banhos de chuveiro. Tinha arrepios até de piscinas, nem sabia nadar... Mas este desejo pra lá de irracional falava mais alto. Parecia que o mar estava mais acolhedor, como se aquelas águas fossem um retorno ao encharcado ventre materno. Começou uma caminhada pela beira da praia, enfeitiçado como um lobisomem, encantado com se ouvisse sereias cantando. Andou pouco mais de uma hora, se guiando pelo brilho lunar. Quando deu por si, estava diante de um imenso tapete de areia branca, quase prata. De um lado, um mar ameno que beijava a praia com ondas tranquilas. De outro, uma infinda parede de coqueiros que davam ao lugar um toque de paraíso tropical. Ele tirou o par de tênis e caminhou por sobre a areia branca. Era uma massagem relaxante o toque do seus pés com aqueles grãos de arenito. Era como se uma energia tranquilizadora tomasse conta do seu corpo e expandisse sua alma. Sentiu-se pequeno diante da beleza daquele luar. Andava bem próximo da água, sentido que algumas ondas já tinham molhado seus pés. A água morna e calma serviu de convite para o gesto mais que impensável para Pablo. Fitando a imensidão oceânica, desabotuou e desceu sua bermuda. Jogou a mesma a um metro de distância, não se importando com celular nem carteira. Como se vislumbrasse um continente perdido, desabotuou sua camisa lentamente, se desvencilhando de mais uma peça que vestia. Como o ambiente não denunciava alguma outra presença, tirou sua cueca e lentamente adentrou o mar. Ajoelhou-se diante daquele oceano colossal e se arrepiou perante o toque das águas nas suas partes mais íntimas. Um arrepio mais suave percorreu sua espinha e ele viu que o mar não era tão perigoso assim. Jogava punhados de água salgada na parte superior do seu corpo, não se atrevendo a dar um mergulho. O relaxamento e o cansaço se uniram fazendo Pablo voltar a areia seca. Ele então deitou-se no solo arenoso e de tanto contemplar lua e estrelas, adormeceu.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
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