Conto
HENRIQUE E PABLO
Primeira Parte
Henrique. Pescador mais novo de uma família de pescadores da linda Porto Seguro. Nato pelas suas habilidades e belo como nenhum outro pescador daquela região ousara ser. Seus olhos são verdes como duas esmeraldas. Aos vinte e dois anos, no alto de seus 1,93 de altura, carregava um corpo apolíneo, esculpido por dias a fio remando contra as ondas, puxando redes, lutando capoeira. Esta luta sempre foi sua grande paixão e sabe tirar dela o maior proveito possível. Joga suas longas pernas ao ar em movimentos quase ritualísticos, apoiando-se no solo com seus braços rígidos. Fora isso, apresenta um temperamento calmo, meio calado, meio desconfiado. Guardava um segredo que não podia ser decoberto por ninguém. Era um gostar esquisito. Achava os meninos mais bonitos que as meninas. E por falar em meninas, eram umas tolas que o perseguiam incansavelmente, ávidas pela beleza e pelo jeito acanhado do moço de cabelos encaracolados, meio castanhos, meio queimados de tanta água salgada e sol, muito sol... Vira e mexe saía com uma dessas meninas. Dava-lhes uns beijos. Ás vezes proporcionava algum prazer mais explícito, mas no fundo achava o sexo com mulheres bem pouco interessante, quase que um gesto automático. Tinha um hábito bem incomum: se jogava nú ao mar nas noites de lua clara e acariciava seu corpo na beira da praia imaginando - se nos braços de outros rapazes. Chegava ao êxtase imaginando outros corpos másculos sobre o seu. Queria amar outro moço como ele, mas sofria por saber que esse segredo podería ser motivo de escárnio pelos seus companheiros de pesca ou capoeira. Muitas vezes, Henrique se pegava em pleno estado de excitação ao contemplar outros colegas lutando. Nessas ocasiões, era obrigado a sair de fininho para que não percebessem seus 24 centímetros de rigidez por sobre as calças brancas de algodão. Era realmente seu delírio e seu tormento gostar em silêncio de outros rapazes.
Um certo dia, enquanto consertava sua rede de pesca numa tarde ensolarada, aproximou-se de sua humilde casa uma cigana, pedindo a ele uns trocados. Ele, de modo acanhado, fingiu não ter dinheiro algum, tentando se desvencilhar daquela mulher morena, de cabelos longos e ohar penetrante como um punhal. Insistente, a mesma falou que por dez reais lhe contaría algo que mudaría sua vida. Ele aceitou a proposta. Em poucos segundos, sua mão grande e de linhas bem traçadas era minunciosamente analizada pelos olhos negros e curiosos daquela mulher estranha. Ela sorriu e disse que ainda naquele ano ele conhecería o grande amor da sua vida e que o mesmo surgiria na beira daquele mar. Disse ainda que este amor não podería ser desprezado sob hipótese alguma e que seu destino mudaría muito. A cigana fechou delicadamente seus dedos e saiu, sem ao menos dizer adeus...
Pablo era um exemplo de eficiência e rapidez. Aos vinte e seis anos já era dono de uma empresa de consultoria. Entendia do sobe e desce da bolsa e das melhores aplicações. Sabia quais eram os melhores títulos dos mercados emergentes. Bonito, charmoso, corpo malhado por longas horas nas aparelhagens da academia que frequenta quase que diariamente. Pele clara, cabelos castanhos, olhos azuis, lábios rosados e carnudos. Dentes de comercial de produtos para higiene bucal. Não curte excessos alimentares. Nos finais de semana, desligava-se dos assuntos econômicos e se entregava aos prazeres carnais da noite paulistana. Não era dado a romances. Gostava mesmo é das delícias presentes nas saunas e nos dark-rooms da vida.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário